4 de dezembro de 2025

Promovendo a justiça climática para pessoas com albinismo: destaques do Fórum de Aprendizagem de Gana 2025 

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Em 23 e 24 de setembro de 2025, a Africa Albinism Network AAN), com o apoio do Fundo para os Direitos das Pessoas com Deficiência (DRF), convocou o primeiro Fórum Regional de Aprendizagem da África Ocidental Anglófona em Acra, Gana, sob o tema “Mudanças Climáticas, Direitos Humanos e Albinismo”. Este encontro importante reuniu ativistas, defensores dos direitos humanos, líderes com deficiência e organizações parceiras de Gana, Nigéria, Serra Leoa, Libéria e Gâmbia. 

As alterações climáticas estão a remodelar a vida em toda a África Ocidental e, para as pessoas com albinismo, que já enfrentam riscos elevados devido à exposição solar extrema, baixa visão, discriminação social e exclusão sistémica, os impactos são particularmente graves. No entanto, as suas realidades continuam em grande parte ausentes dos diálogos sobre justiça climática e direitos das pessoas com deficiência, tanto a nível nacional como regional. O Fórum de Aprendizagem do Gana respondeu diretamente a esta lacuna crítica, colocando as experiências, necessidades e direitos das pessoas com albinismo no centro do discurso climático. 

Reflexões iniciais e declarações de alto nível 

No seu discurso de boas-vindas, o Sr. Newton K. Katseku, Diretor Executivo da Associação Gana de Pessoas com Albinismo (GAPA), reafirmou a liderança e o compromisso da comunidade com a justiça climática. «Defendemos a causa de um ambiente equitativo», afirmou, sublinhando a importância da colaboração e da defesa sustentada. 

O diretor executivo da AAN, Sr. Bonface Massah, proferiu um discurso poderoso, destacando a urgência da questão:

«Este é um momento especial; uma plataforma onde queremos apresentar a relação interseccional entre as alterações climáticas, as pessoas com albinismo e também os direitos humanos.» 

Ele falou abertamente sobre o índice UV africano, frequentemente acima de 10, e como as pessoas com albinismo podem sofrer queimaduras em poucos minutos. Ele observou que as alterações climáticas transformaram a vida quotidiana numa série de exposições com risco de vida. Ele exortou os participantes não apenas a aprender, mas também a agir. 

 

«Se deixarmos de defender os nossos direitos humanos, será nesse dia que também deixaremos de usufruir desses direitos.» 

Da mesma forma, o Sr. Theophilus Odaudu, do Fundo para os Direitos das Pessoas com Deficiência (DRF), enfatizou o poder da ação coletiva:

“Quando as pessoas com deficiência podem se reunir, podem aprender juntas e partilhar experiências, então somos capazes de cocriar as soluções necessárias.” 

Experiências vividas e discussões críticas 

Um dos principais destaques do fórum foi uma comovente sessão de painel, na qual os participantes partilharam experiências pessoais relacionadas ao stress climático. As suas histórias pintaram um quadro vívido dos desafios crescentes enfrentados em toda a região. 

O Diretor Executivo da Albinism Royal Foundation (ARF), Sarah Ngaiwa, da Serra Leoa, descreveu como as inundações destruíram escolas, deixando crianças com albinismo excluídas da aprendizagem por longos períodos. A Sra. Nnene Bassey, da Nigéria, partilhou o relato angustiante de um rapaz de 17 anos com albinismo que foi abandonado enquanto sofria de cancro de pele em estado avançado, sem tratamento, sem apoio e forçado a cuidar de si mesmo. Outros explicaram a realidade de caminhar longas distâncias até à escola sob um calor escaldante, sofrendo queimaduras solares graves e sendo rejeitados nos locais de trabalho porque os danos cutâneos induzidos pelo clima alimentam a discriminação. 

Num dos painéis, Nnene Bassey, Diretora Executiva da Rede de Defesa das Pessoas com Albinismo (APAN), fez uma advertência severa:

“Quando se trata de cancro de pele, não espere passar por isso antes de aprender, porque pode não viver para contar a história.” 

Além dos impactos na saúde, os participantes examinaram como as pressões climáticas estão a intensificar práticas culturais prejudiciais, a perturbar a educação e a agravar a discriminação no emprego para pessoas com albinismo. 

As alterações climáticas estão a agravar as desigualdades e o fórum deixou isso claro 

Ao longo das apresentações e discussões, os participantes destacaram o agravamento das ameaças aos direitos e ao bem-estar das pessoas com albinismo: 

  • Aumento dos casos de cancro de pele, muitas vezes fatais devido ao acesso limitado a exames e tratamento. 
  • Aumento da evasão escolar causada pelo aumento da intensidade solar, dificuldades visuais, estigma e infraestruturas danificadas. 
  • Condições de trabalho inseguras, especialmente para aqueles que realizam trabalhos ao ar livre. 
  • Exclusão das políticas climáticas e dos planos de emergência, apesar de estar entre os mais afetados. 
  • Aumento dos riscos de práticas nocivas, incluindo ataques rituais ligados ao stress climático e à seca. 

Um exemplo do Gana ilustrou esse perigo: um jovem com albinismo foi alvo de um sacrifício ritual com base na crença de que a sua morte «traria chuvas». Na Serra Leoa, outro participante descreveu um caso em que uma pessoa com albinismo teve tratamento médico para cancro de pele negado, uma clara violação do direito à saúde e à vida. Essas histórias não eram exceções; elas se repetiam em todos os países representados. 

Planeamento da defesa e compromissos políticos 

Os participantes envolveram-se em sessões intensivas em grupo para mapear os impactos climáticos em direitos específicos, incluindo os direitos à vida, saúde, educação e trabalho, ao mesmo tempo que identificavam lacunas nas estruturas nacionais relativas ao clima e à redução do risco de desastres (DRR). Essas discussões resultaram em compromissos fortes e exequíveis, incluindo: 

  • Gana: Promover a inclusão de protetor solar no Sistema Nacional de Seguro de Saúde (NHIS) e garantir a integração explícita do albinismo nas políticas climáticas nacionais até 2026. 
  • Nigéria: Envolver a Comissão para as Deficiências na revisão da Política Nacional para as Alterações Climáticas e defender a criação de um Ministério para as Alterações Climáticas até 2027. 
  • Serra Leoa: Colaborar com instituições nacionais para rever a Política de Alterações Climáticas, de modo a incluir pessoas com albinismo até 2030. 
  • Gâmbia e Libéria: Reforçar a participação das pessoas com deficiência, incluindo pessoas com albinismo, nos processos de tomada de decisão sobre o clima e a redução do risco de desastres. 

Os participantes também receberam uma orientação sobre o Plano de Ação da União Africana sobre Albinismo (2021-2031), reforçando a necessidade de Planos de Ação Nacionais sobre Albinismo em toda a região. 

Fortalecimento de um movimento regional 

Nas considerações finais, tanto o Sr. Massah como o Sr. Katseku reafirmaram a importância da unidade regional e da ação sustentada. O Sr. Katseku observou que as conversas «reflete a necessidade urgente de construir um mundo justo e inclusivo».
O Sr. Massah ecoou esse sentimento, apelando ao apoio mútuo contínuo:

«Devemos apoiar-nos continuamente uns aos outros neste processo de defesa dos direitos humanos.» 

Conclusão

O Fórum de Aprendizagem do Gana marcou um momento fundamental no posicionamento das pessoas com albinismo nas estruturas de justiça climática na África Ocidental. Ele desenvolveu a capacidade de defesa, fortaleceu a colaboração regional e catalisou compromissos com reformas políticas inclusivas. 

A AAN expressa o seu sincero agradecimento a todos os participantes, parceiros e apoiantes que contribuíram para o sucesso deste encontro histórico. Juntos, continuamos o trabalho de garantir que as pessoas com albinismo em África não sejam deixadas para trás no movimento pela justiça climática. 

 

Africa Albinism Network

Escrito por:

Africa Albinism Network (AAN)

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